Acho que agora entendi.
Saí de casa às 9 e tantas. A sessão começava um tempo depois, às 10 para 10. Da garagem para o prédio de cada um não foi tão demorado, mas o suficiente para inviabilizar o cineminha. O tempo estava ameno, uma noite não muito fria nem quente. Sem problemas.
Depois de um tempo rodando, decidimos. Uma baliza depois fomos à uma lanchonete não-tão-ruim-assim e pedi uma porção média com um refrigerante pequeno, aproveitando o refil infinito – e minha carteira sorriu. Ao sentar em uma das várias mesas azul-padrão, tivemos altos e baixos papos. Como toda vez que saímos.
O pessoal entrava e saía. Todos em um passeio noturno não muito chique, coisa simples e que serve para uma segunda-feira de janeiro assim: choca. Nada demais o suficiente para dar uma risada, comer numa boa um X-alguma-coisa, beber um refri e comer batata frita. Rolê tranquilo.
Aliás, um rolê alheio. Para mesas à dois, quando o relacionamento já passou da fase de restaurantes e da janta no horário; para mesas de tantas cadeiras, com a galera que vai ou volta de uma festa famintos por algo frito e gordelicioso; e também para aquela mesa e cadeira com um cara sonolento que mal consegue dar cabo da coisa que tava em promoção.
“Pronto?” alguém sempre termina. O papo tava bom, tudo muito bem, mas realmente… “hehe, já deu, né?”. Uma risada, um papo meio sério, um esculacho, uma olhada na loira, uma reflexão e outro esculacho e pronto. E claro, o filho da puta tocando ‘fanque’ no celular.
Deu para perceber? Parece um pouco com aquela cerveja feijão com arroz de 0,99 centavos que a gente bebe. Com o Almadén, com aquele doce de churrascaria, com aquele carro popular do momento, aquela moreninha do escritório, aquele cara que você conhece mas sempre esquece o nome, aquela música legalzinha de espera e, claro, com aquele pão de queijo frio que a gente também come.
Serve para o que é.

