Imperial Stout

Ele terminou de datilografar. Ainda com a folha presa no carretel da máquina, leu com atenção as frases escritas do relatório, marcou os erros, e encostou novamente na cadeira. Pensativo lembrou-se da sua mais recente cliente: uma loira alta e sombria que pediu, chorando soluços, uma investigação sobre seu marido – “Me ajude…” ela dizia aos prantos encostada em seu peito.

Com o abridor na mão, puxou da gaveta uma garrafa. De fabricação caseira era uma cerveja preta, densa e muito complexa. “Que coincidência…” pensou. O ventilador de teto mal fazia barulho, o cigarro que repousava no cinzeiro soltava um fino filete de fumaça e a cerveja viscosa se acentava no copo bojudo. Um vulto aparece no outro lado do vidro temperado. O detetive engata o cão da .38 cano curto que fica na gaveta aberta da direita.

“EU NÃO TENHO NADA A VER COM AQUELA MULHER!!!” diz o sujeito gordo e ofegante que invade a sala. “Filho da puta” pensa o detetive. “Eu te vi saindo daquele restaurante com a minha mulher!!! Você tá comendo ela que eu sei!!!” acusa o gordo com o indicador apontando.

Sua mão áspera ainda está sobre a mesa, no aguardo. O gordo ainda completa: “E aí?! Não vai dizer nada, seu merda?!”. “Não estou comendo sua mulher. E nem você, pelo jeito.” Levantou-se, andou até onde o gordo estava. Sabia que o cara não ia fazer nada porque é um bundão barbudo que vive com mulheres da vida quando sai do trabalho.

“Ei, ei!!! Que porra é essa!?” disse o redondo, enquanto o magro detetive se aproximava dele. Algo reluzente saía da manga direita do barbudo careca: o  canivete foi parar longe assim que o bundão caiu com o primeiro soco que levou no rosto. A direita do detetive sempre foi impiedosa com gente desse tipo. Na sequência do sarrafo, o detetive disse: “Arranje uma vida, ok?” para o medroso roliço que corria a escadaria do sobrado abaixo com seus corpulentos cento-e-tantos quilos.

Um a um, estalou os dedos da mão direita. Pôs as mãos na cintura, olhou para o copo bojudo que ainda estava com aquela cerveja preta e perfumada – com menos espuma. O aroma de madeira se insinuou, o sabor intenso e alcoólico tomou conta e um sorriso de canto despontou. Após o primeiro gole desengatou o cão da arma e ficou em silêncio bebendo sua cerveja.

Goles depois, outro vulto estava abrindo a porta. Logo que aberta, aquele mesmo par de pernas, a pele branca, e a voz sedosa que agora – sem soluços chorosos mas com um sorriso – lhe dizia ao se aproximar perigosamente, em um vestido negro que realçava suas curvas: “Então… ele vai me deixar em paz?” O detetive colocava o copo vazio sobre a mesa, perto de sua arma, olhou para as mãos que brincavam com sua gravata e sussurrou ao pé do ouvido, afastando um cacho loiro: “Sim… ele vai nos deixar em paz agora.”

Entrevista

Pessoal, estou muito contente com a entrevista que saiu hoje no Bebendo Bem (um dos maiores sites de cerveja no Brasil) comigo! Éééé, Cervezando neles!!!

Agradeço imensamente ao Fabian, meu bom amigo do Sul que (por azar) tão pouco vejo. Segue:

Nome, idade, profissão, onde reside?

Leonardo Russo, 20, Estudante, São Paulo Capital.

Desde quando você escreve no blog?

Desde janeiro de 2010.

O que lhe motivou a criar o blog/site?

Eu sempre tive a vontade de ter um blog que pudesse me envolver mais com o tema que escrevo. Já tive alguns blogs mas nenhum que fosse tão ‘sério’ quanto o Cervezando. O que me motivou mesmo foi toda minha experiência no meio cervejeiro até hoje, as pessoas que conheci e tudo mais o que cerveja representa para mim. De uma paixão, de um hobby, de um blog, de ‘bicos’, para uma possível profissão.

Como foi a escolha do nome do blog/site?

Bom, eu estava sentado em um pub em Buenos Aires e pensei no nome: “Cervezando”. Só que ele é mais um conceito do que nome para mim: É um composto de muitos gerúndios [rs, coisa bem criativa] cervejando, comemorando, blogando, criando, entre outros tantos que são relacionados à cerveja, na minha opinião.

Quais são os principais objetivos do blog/site?

A princípio, é contribuir para uma cultura cervejeira no Brasil mais consciente. Não só no sentido do nosso clichê (‘beber menos e melhor’) até porque eu acredito nisso, escrito dessa maneira; mas no sentido de que a pessoa que está começando agora a beber cervejas que vão além do feijão-com-arroz, possam criar uma visão mais sensata do que estão bebendo, do que podem fazer para ajudar o mercado a crescer, como podem intensificar essa vivência cervejeira e fomentar discussões sobre isso. Minha intenção não é de ‘doutrinar’, pelo contrário: mostrar que não há regras para cerveja.

Quais são os seus 3 blogs/sites cervejeiros preferidos?

Homini Lúpulo, Bebendo Bem Panela de Malte.

Quando foi que você teve aquele estalo, aquele momento em que você descobriu as cervejas especiais? Conte a experiência com o máximo de detalhes possível.

Foi tomando Erdinger aos 16 anos no restaurante alemão Windhuk (#ficaadica). Uma Erdinger Dunkel para minha mãe e uma Weiss para meu pai. Pedimos um Kassler, Würst e Wiener Schnitzel. Curioso por causa do copo e do cheiro diferente que aquela cerveja tinha, fui atrás do que era tudo aquilo. E no ano seguinte tive minha segunda experiência marcante: um dia de harmonização no Frangó com Guinness e uns pratos elaborados por um chef. Essa vez foi sensacional por ter tirado Guinness na pressão, aprendido um pouco mais sobre cerveja e ter passado um bom momento com meus tios e meu pai. Além dessa parte família: porres de madrugada, churrascos da confraria, botecagens sem fim, brassagens e outras tantas ocasiões compartilhadas com amigos foram momentos muito importantes para mim.

Depois disso, que outros momentos marcaram a sua experiência com as cervejas especiais?

Outros grandes momentos: a chegada das Flying Dogs aqui no Brasil, quando me apaixonei por lúpulo; Festival de Inverno da Bamberg, e as altas tretas no pós-festa; o quarto e último Encontro Brejas que também fiz parte da organização; minha primeira brassagem e outros tantos dias, como mencionei, que me fazem gostar cada vez mais de cerveja.

Onde você encontra as cervejas que você degusta?

Empório Alto dos Pinheiros e Cervejoteca, em São Paulo. Além de comprar na Mamãe Bebidas de MG.

Quais são os seus 3 estilos de cerveja preferidos?

IPA, Bohemian Pilsner e Porter. Além de suas variações. Mas estou começando a incluir um quarto, as Lambics.

Quais são as suas 3 cervejarias preferidas?

Colorado, Klein, Wäls entre as nacionais. Brewdog, Brooklyn, Weihenstephaner entre as importadas.

Se você pudesse trabalhar numa cervejaria, qual seria? Por quê?

Eu gostaria muito de trabalhar na Heineken. Porque eu me identifico muito com a proposta deles, é uma cerveja que gosto muito e acho uma marca irada.

Você também é homebrewer? Se for, conte alguma experiência inusitada que teve.

Não sou, infelizmente. Apesar disso já tive algumas experiências engraçadas em brassagens, mas acho que nenhuma que vale a pena ser contada aqui.

Além do blog/site, quais são seus outros hobbies?

Gosto de cozinhar, toco saxofone, e me divirto com jogos de computador.

Como você vê o seu blog/site no contexto cervejeiro do Brasil?

Não acho que ele tenha uma relevância significativa e nem uma grande repercussão. Tenho poucos leitores, acredito, mas que são assíduos, então isso para mim já está bom. E aliás, nunca pensei em escrever com a intenção de ter um grande público, mas penso em fazer do blog algo consistente como um todo e que seja válido para alguém. Se uma pessoa que leu meu blog e começar a mudar sua percepção sobre cerveja, quebrar paradigmas, e deixar a frescura de lado… bom, isso já me deixa contente.

0,99

Acho que agora entendi.

Saí de casa às 9 e tantas. A sessão começava um tempo depois, às 10 para 10. Da garagem para o prédio de cada um não foi tão demorado, mas o suficiente para inviabilizar o cineminha. O tempo estava ameno, uma noite não muito fria nem quente. Sem problemas.

Depois de um tempo rodando, decidimos. Uma baliza depois fomos à uma lanchonete não-tão-ruim-assim e pedi uma porção média com um refrigerante pequeno, aproveitando o refil infinito – e minha carteira sorriu. Ao sentar em uma das várias mesas azul-padrão, tivemos altos e baixos papos. Como toda vez que saímos.

O pessoal entrava e saía. Todos em um passeio noturno não muito chique, coisa simples e que serve para uma segunda-feira de janeiro assim: choca. Nada demais o suficiente para dar uma risada, comer numa boa um X-alguma-coisa, beber um refri e comer batata frita. Rolê tranquilo.

Aliás, um rolê alheio. Para mesas à dois, quando o relacionamento já passou da fase de restaurantes e da janta no horário; para mesas de tantas cadeiras, com a galera que vai ou volta de uma festa famintos por algo frito e gordelicioso; e também para aquela mesa e cadeira com um cara sonolento que mal consegue dar cabo da coisa que tava em promoção.

“Pronto?” alguém sempre termina. O papo tava bom, tudo muito bem, mas realmente… “hehe, já deu, né?”. Uma risada, um papo meio sério, um esculacho, uma olhada na loira, uma reflexão e outro esculacho e pronto. E claro, o filho da puta tocando ‘fanque’ no celular.

Deu para perceber? Parece um pouco com aquela cerveja feijão com arroz de 0,99 centavos que a gente bebe. Com o Almadén, com aquele doce de churrascaria, com aquele carro popular do momento, aquela moreninha do escritório, aquele cara que você conhece mas sempre esquece o nome, aquela música legalzinha de espera e, claro, com aquele pão de queijo frio que a gente também come.

Serve para o que é.

 

Duas Cabeças

Segue o release:

Hi 5 Black IPA coloca o Rio de Janeiro na rota das cervejas extremas.

No dia 2 de fevereiro será lançada a Hi 5 Black IPA, a primeira neste estilo a ser engarrafada e distribuída por diversos estados brasileiros. O lançamento acontecerá em diversos bares simultaneamente, do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Bahia (já confirmados). Trata-se do primeiro rótulo da 2Cabeças Cervejas, que aposta nesta cerveja extrema de um estilo raro no Brasil. A receita foi desenvolvida em produção caseira, e o resultado foi tão positivo que os autores dela, Bernardo Couto e Salo Maldonado, resolveram produzir em escala comercial. A 2Cabeças Cervejas surge apostando em estilos de cervejas pouco comuns no mercado nacional. Da mesma forma, o design do rótulo, feito por Armando Fontes, é moderno e jovial, fugindo da estética dos rótulos tradicionais.
O estilo escolhido, Black IPA, nasceu nos Estados Unidos, em experiências de cervejas escuras extremanente lupuladas. Assim, nasceu o estilo, uma opção com leve torrado para as tradicionais American IPA. A Hi 5 tem coloração escura, com toques acastanhados, não sendo um negro profundo, como uma tradicional stout. No aroma, o torrado e o caramelo do malte se misturam ao cítrico do lúpulo Simcoe, que remete a maracujá e manga. Na boca, tratase de uma cerveja com corpo leve a médio e notado amargor. O sabor acompanha o aroma, deixando no fundo da garganta um leve sabor de lúpulo.
“Gostamos de brincar que o dia em que a 2Cabeças tiver produzindo pilsens e weizens, desconfie seriamente, pois deve ser uma pegadinha. Nosso foco são cervejas que tragam uma experiência marcante e diferente para o público brasileiro que cada vez mais entende e aprecia cervejas especiais”, afirma Bernardo Couto.

Quem faz a 2Cabeças?
Ela surge da união de duas pessoas ligadas ao setor de cervejas especiais no Rio de Janeiro. Bernardo Couto é jornalista e cervejeiro caseiro, além de editor do site Homini lúpulo, um dos principais especializados no setor, no Brasil. Salo Maldonado é publicitário e já atua em duas frentes no mercado. É sócio de uma distribuidora de cervejas, a Infusion, e de um bar, o BeerJack Hideout. A Hi 5 Black IPA está sendo produzida na Cervejaria Allegra, na cidade do Rio de Janeiro. Ao contrário do que parece, o nome não é uma necessária alusão aos dois sócios, sendo também uma referência ao conceito de que “duas cabeças pensam melhor do que uma”.
Pré-lançamento
No dia 27 de janeiro alguns bares do Rio de Janeiro, como Boteco Colarinho e BeerJack (já confirmados), receberão seu primeiro barril de Hi 5. Assim, os moradores do Rio de Janeiro serão os primeiros a provar estar cerveja criada no Flamengo, testada em Botafogo e produzida em escala comercial em Jacarepaguá.

Serviços:
Lançamento Hi 5 Black IPA dia 2 de fevereiro – 20h
Lista provisória de bares participantes do lançamento:
Rio de Janeiro – Boteco Colarinho, BeerJack Hideout e Delirium Café
São Paulo: Empório Alto dos Pinheiros, Bar Brejas e Empório Santa Fé
Paraná: Hop’n Roll Beer Club
Bahia: Empório Jaguaribe
Contato 2Cabeças Cervejas:
Bernardo Couto – 21 8114-9699 – bgcouto@gmail.com
Salo Maldonado – 21 9157-8251 – salo@infusion.com.br

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