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A primeira cerveja “diferente”, “especial”, “gourmet”, “artesanal”, “boa”, “inesquecível”, ou simplesmente cerveja de trigo que tomei foi aos 15 anos. Desde então tenho me fascinado com cerveja a cada dia que passa, a cada gole que desce pela goela, a cada roda de amigos com quem compartilho copos, risadas e garrafas.

Muito tempo depois, muita litragem, tomei bastante coisa. Olho para as últimas e lembro que variam muito: desde cervejas com curry de madras até uma ‘Pilsen’ bem mequetrefe. E do mesmo jeito, das mais variadas origens, de caseiras até plantas com produção mensal de 150 mil litros.

Porém, contudo, entretanto, sou um cara que talvez chamem de saudosista. Ou de sem-dinheiro-pra-comprar-algo-melhor [e talvez sim, seja isso, mas uma parte do todo] ou de outras coisas do tipo. Mas me vejo agora, em pleno outono, numa 4ª, às uma e tantas da manhã, tomando uma Hefe-Weizenbier e me sentindo… bem.

Atendo das mais variadas pessoas onde trabalho. Já vi clientes que de tamanha humildade, mas certa pose, comprando cervejas de 7 reais voltando para casa alegres e enebriados; amigos de escritório surpresos com um famoso desconhecido que pagou a conta da mesa por algum motivo obscuro logo depois de ter trocado piadas infames e alguns abraços; e senhores que não tem onde mais gastar dinheiro e fazem compras de milhares de reais em cerveja.

E de vez em quando, entre uma ou outra conversa, me perguntam:

- Qual, das que você gosta, me indica?

Não costumo dizer – daí fica a confissão – mas penso sempre em 3 ou 4 estilos beeem arroz-com-feijão. Porque no final das contas e das coisas, panela velha… faz cerveja boa. Assim como há um disco de cabeceira, um livro de cabeceira, uma revista sempre jogada na mesa, um jeans que você não deixa de usar, o lápis mordido, a desculpa esfarrapada, e outros recursos da mesmice – mas não comodismo – do dia-a-dia… tem aquela cervejinha.

Aquela. Que não é lá grande coisa, mas vale a pena. Aquela que tá atrás da maionese e do lado da conserva, que qualquer copo serve. Mas que já é melhor do que a comercial de sempre ou menos do que a de 20 mangos…

…é aquela lá.

Saúde pra vocês!

Ponto Bê-Erre

Como eu mencionei, esse blog também faz divulgação de coisas que valem a pena – na opinião deste autor/dono/editor chefe/cervejeiro. Sendo assim, aqui vai outro desses jabás, mas que acho validíssimo.

Forroemvinil.com

Esse é o maior acervo online de Forró que eu conheço. Pra quem gosta da música, esse é O site! E é simples: voce entra, procura o que quer e baixa sem custo nenhum. Acho difícil não encontrar algum daqueles álbuns que voce tanto procurava e nunca achou.

Eu não gosto de apenas “divulgar”. Mas acredito em “apoiar”. O que difere um do outro é a extensão da vontade, o nível de envolvimento. No caso, a divulgação de algo é uma parte do apoio, porque abaixo segue uma das bandeiras que esse blog (e eu pessoalmente, consequentemente) apóio: a cultura. Não só a cervejeira, mas ela como um todo, e principalmente a brasileira. Segue abaixo um texto de desabafo postado no Forró em Vinil, que li, gostei e acredito que merece divulgação.

“Nos últimos anos tenho visto revoltado e estarrecido a um processo cruel de desconstrução da cultura nordestina, notadamente sertaneja com a conivência da maioria das prefeituras e rádios do interior. Digo isso porque vivo em interior há 5 anos. Em todos os espaços de convivência, praças, bares, e na quase maioria dos shows, o que se escuta é música de péssima qualidade que, não raro, desqualifica a mulher e embrutece o homem. Como se ser rapariga ou cachaceiro fosse alguma qualidade.

O que adianta as campanhas bem intencionadas do governo federal contra o alcoolismo e a prostituição infantil, quando a população canta ‘beber, cair e levantar’, ou ‘dinheiro na mão e calcinha no chão’? O que adianta o governo estadual criar novas delegacias da mulher se elas próprias também cantam e rebolam ao som de letras que incitam à violência sexual? O que dizer de homens que se divertem cantando ‘vou soltar uma bomba no cabaré e vai ser pedaço de puta pra todo lado’? Será que são esses trogloditas que chegam em casa, depois de beber, cair e levantar, e surram suas mulheres e abusam de suas filhas e enteadas? Por onde andam as mulheres que fizeram o movimento feminista, tão atuante nos anos 70 e 80 que não reagem contra essa onda musical grosseira, violenta e de péssima qualidade? Se fazem alguma coisa, tem sido de forma muito discreta, pois não vejo nada nos meios de comunicação, e nada encontro que questione ou censure tamanha barbárie. E boa parte dos mesmos meios de comunicação são coniventes, pois existe muito dinheiro e interesses envolvidos na disseminação dessas músicas de baixíssima qualidade com artistas idem.

E não pensem que essa avalanche de mediocridade atinge apenas os menos favorecidos da base de nossa pirâmide social, e com menor grau de instrução escolar. Cansei de ver (e ouvir) jovens que estacionam onde bem entendem, escancaram a mala de seus carros exibindo, como pavões emplumados, seus moderníssimos equipamentos de som e vídeo na execução exageradamente alta dos cds e dvds dessas bandas que se dizem de forró eletrônico. O que fazem os promotores de justiça, juízes, delegados que não coíbem, dentro de suas áreas de atuação, esses abusos? E ainda tem mulher que acha lindo isso tudo.

Quando Luiz Gonzaga e seus grandes parceiros, Humberto Teixeira e Zé Dantas, criaram o forró não imaginavam que depois de suas mortes essas bandas que hoje se multiplicam pelo Brasil praticassem um estelionato poético ao usarem o nome forró para a música que fazem. O que esses conjuntos musicais praticam não é forró! O forró é inspirado na poesia do sertanejo; já esses que se dizem tocar ‘forró′ se inspiram numa matriz sexual chula! O forró é uma dança alegre e sensual; já os outros exibem uma coreografia explicitamente sexual! O forró é um gênero musical que agrega vários ritmos como o xote, o baião, o xaxado; os artistas de araque criaram uma única pancada musical que, com certeza, não corresponde aos ritmos do forró! E se apresentam como bandas de ‘forró eletrônico’! Na verdade, Elba Ramalho e o próprio Gonzagão, nosso eterno Rei, já faziam o verdadeiro forró eletrônico de qualidade nos anos 80.

Da dança da garrafa de Carla Perez até os dias de hoje formou-se uma geração que se acostumou com o lixo musical! Estão aí funk, swingueira, arrocha, etc. Não, meus amigos: não é conservadorismo, nem saudosismo! Mas não é possível o novo sem os alicerces do velho! Não é possível qualidade de vida plena com mediocridade cultural, intolerância, incitamento à violência sexual e ao alcoolismo!

Mas, felizmente, há exemplos que podem ser seguidos, como os do Trio Forrozão, de São Paulo, ou o grupo Falamansa, que sabe adequar modernidade instrumental com qualidade musical do autêntico forró. Sem falar no extraordinário Waldonys, mais um seguidor de Luiz Gonzaga. E é com esses exemplos que a resistência da cultura nordestina deve se perpetuar, ao contrário do que esses empresários cearenses pretendem fazer.” Luiz de França Sobrinho, 2007

A word to the wise is infuriating. – Hunter Thompson

#cervejadeverdade

No ano passado, em 2011, os blogueiros do BBC fizeram um tuitaço chamado:

#cervejadeverdade

O que isso significa? Bom, significa que todos envolvidos postavam tweets que enalteciam [que bunito] as qualidades das cervejas artesanais, para fomentar uma divulgação destas. Outro bom motivo para você tomar aquela cervejinha amanhã a tarde, não?

Atualização [Sexta Feira, dia-d]

Ontem, 5ª, já me envolvi numa discussão sobre esse tuitaço. Na época que os blogueiros BBC escolheram o termo “cerveja de verdade“, quase que por unanimidade, a intenção era pegar a rabeira do espírito da CAMRA. O tiro foi pela culatra, claro, por conta da falácia de que:

Se há uma verdade, há uma mentira; se por ‘verdade’ entendem-se as artesanais, logo, as comerciais são de ‘mentira’.

Na realidade, todas são cervejas. Não levassem todas água, malte, lúpulo e levedura, não seriam cerveja nem aos olhos da lei – que é cega, mas ok. O infeliz que cunhou este termo muito mal compreendido por todos, e todos outros que o aceitaram incondicionalmente, nunca explicaram - na minha opinião – de maneira adequada o significado desse termo.

Mas não presumam: não vou ‘explicar’ o termo. Apesar de já ter dado uma ‘aparência’ pra ele, apresentado-o à vocês, não tenho como ler os pensamentos do sujeito que fez esse termo. Menos ainda do porque são necessárias as discussões sobre esse uso do ‘verdade’ e dos lados nessa discussão que são tão extremistas.

Agora vale dizer: tem neguinho que esquece que começou bebendo há anos atrás, Skol, Brahma e coisas assim. Galera que achava que a Brahma de Agudos era a melhor do mundo talvez até sem nunca ter provado, que achavam que Malzbier/chope Brahma Black era outra das melhores coisas do mundo. Até tomar uma Erdinger ou ir para o exterior na década de 90 e ver que havia um mundo diferente de opções. E agora resolve usar daquela falácia pra convencer os outros de como eles vivem sobre a escuridão do senso comum e deveriam tomar cervejas ‘de verdade’. Bullshitagem pura, como diria um amigo.

A questão é que as pessoas tendem a encaram uma como cerveja e outra como ‘não-cerveja’. Curiosamente a que eles sempre tomaram e que até o instante do primeiro gole doce de uma Weizenbier eram cervejas do dia-a-dia e sempre o acompanhamento do churrasquinho de domingo, continua como ‘cerveja’; e em contra partida, as importadas/artesanais/caseiras a ‘não-cerveja’, por ser tão diferente em aromas e sabores, vira algo além de uma mera ‘cerveja’, tão sonsa e sem sabor, vira uma cerveja de verdade, especial.

Quando, na verdade, é só cerveja.

Quero participar. Pode?

Sim, quanto mais melhor. O Homini Lúpulo fez um post basicão e auto-explicativo sobre o evento. Segue abaixo a cópia:

- A partir das 14h de sexta-feira, dia 4 de maio, use no Twitter o #cervejadeverdade com frases que exaltem a riqueza de estilos e sabores das cervejas. Vamos exaltar a cultura cervejeira.

- Faça barulho, convoque a todos para estarem online naquele momento. Para levar o termo entre os mais citados do Brasil precisamos que todos tuítem ao mesmo tempo.

-Neste momento, não se preocupe com o famoso flooding, que é quando se joga informação demais na rede. Todos farão isto neste momento também!

-Deixe textos e frases de efeito já escritos e apenas copie e cole na hora. Isso dá agilidade a sua participação.

-Dê RT dos textos mais interessantes com o #cervejadeverdade.

-Não buscamos previlegiar marcas, estabelecimentos e produtos, mas propague, se quiser, aqueles que você admira pelo trabalho que vem fazendo, e que apostem na busca pela qualidade.

-Interaja com os curiosos sobre a tag, mas sempre com educação e respeito, afinal, não queremos mudar o gosto de ninguém, apenas apresentar a diversidade. Cada um tem a sua cerveja de verdade.

-Caso não possa estar online no momento da ação, programe tweets para o momento.

Heart And Soul

I was doing my stuff, peacefuly as usual. Then I saw, with all my myopia and no glasses, “a girl with short blond hair next to another girl I might know” – as I thought at the moment. As I came near them, I saw that I really knew the girl she was with, a friend that happens to be a sales person from an importer (Beer Maniacs). But herself, the blondie, I didn’t know who she was until it got to me, as I recalled what this friend of mine had already told me in the past week: she “happens to be” the Export Coordinator of Brooklyn Brewery, Claire.

I have already met some important [and for that matter, important not only to me but to the segment] people where I work. But I believe that I have never stuttered as much as I did with Claire. If I ever wanted to get to know somebody from the beer industry (and I always want to, mainly because I like to know interesting people), probably it was her.

Not because of her job. Or because she’s from one of the most respected breweries in the world or one of my favorite breweries, nothing like that. But because she IS, in my most humble and honest opinion, Brooklyn in person. I haven’t met Garret Oliver or the neighbours who founded the brewery, but that girl with a casual black dress, a funny laugh and a good talk…

“Claire, Zé from Wäls & the Beer Maniacs Gang”

…made me think: “that’s why I work with beer”. Because of the people involved, the people that inputs all its heart and soul in its work to make other people have a good time, wherever they are, whoever they are.

It may be from choosing suppliers for raw material, adapting recipes, spending countless hours in the first prototype of one recipe, managing the brewery, planning an export, analysing all the financial and legal aspects, taking care of logistics, receiving the load at the ports, dealing with the transport of the goods, calculating the price, negotiating with clients a decent price in the quantities purchased, training the client’s staff when necessary, managing the stock, keeping the beers at a certain temperature, cleaning properly the glass…

…to, finally, the pouring of the beer in the glass and taking that awesome-refreshing-smooth-zen-heavenly sip in a Sorachi Ace after a day of work.

Its as simple as that. Its a whole world beautifully summed up on a glass half full of beer.

Cheers!

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